musicaefantasia

Musica e fantasia: curtas as sugestões de discos, filmes e livros.

Categoria: Século 20

O fascínio dos tropicalistas pelos vampiros

Sabemos que, intelectualmente, o tropicalismo lançado por Gil e Caetano tentava ser uma continuação ou radicalização da antropofagia de Oswald (leia-se Ôsvaldi) de Andrade. No sentido de apropriar da cultura estrangeira, degluti-la para criar algo com nossa identidade.

O vampiro é uma imagem mais ambiciosa: além de absorver a essência vital de sua vítima, o vampiro a transforma em um igual. Isto lembra a poesia exportação dos concretistas: em vez do regionalismo exótico, influenciaremos estrangeiros com nossas ideias.

Por isso é que tropicalistas radicais, como Torquato Neto, Ivan Cardoso e Jorge Mautner, são fascinados com a ideia de vampiro.

Anúncios

Here’s to you (Nicola and Bart), com Joan Baez

Hoje em dia é difícil explicar o que é anarquismo. Mas é fácil explicar a injustiça da pena de morte para Sacco e Vanzetti. Fácil sentir solidariedade por eles nos versos de Joan Baez e música de Ennio Morricone.

You belong to me, com Carly Simon

Se houver um bom sentido para a palavra apego, ele está em You belong to me. Quem canta diz para a outra parte do casal que não precisa se mostrar atraente para outras pessoas: olhos amorosos veem sua beleza.

Café e cigarros, de Jim Jarmusch

Em Café e cigarros celebridades da música e do cinema interpretam a si mesmas ou personas parecidas. São quadros curtos, com diálogos muito divertidos, inteligentes, mas despretensiosos. É filmado todo em preto e branco escuro, imitando os cafés antigos.

Always on my mind, com Elvis Presley

Always on my mind fala de um relacionamento em crise, apesar do cantor sempre pensar na pessoa amada. A letra é bela porque fala da tristeza de modo muito sóbrio. E termina com um pedido de reatamento, de continuidade.

Dois pra lá, dois pra cá, de Bosco e Blanc, com Elis Regina

Aldir Blanc e João Bosco foram grande dupla da MPB, que os tempos atuais parecem fazer esquecer. Radiografavam o universo da pequena classe média carioca. Grandes versos como “a ponta de um torturante/ bandaid no calcanhar” eram sua marca.

Ficções, de Jorge Luis Borges

Ficções, de Jorge Luis Borges

Em 1944, Borges publicou o pequeno livro chamado Ficções, ainda hoje muito atual. Citando livros existentes ou inventados, seus contos fazem pensar na batalha das ideias, que pode ser tão interessante quanto uma batalha com espadas na Idade Média.

O método de criação do grande contista Dalton Trevisan

O método de criação do grande contista Dalton Trevisan

Dalton Trevisan cria sobre estória comovente anotada no calor da hora. Depois, digita-a. E alterna o trabalho sobre ela entre períodos de geladeira e reescrita, para minimizar o envolvimento pessoal com a estória e maximizar seu interesse para todos.

Alice não mora mais aqui, de Martin Scorsese

Muitas obras de arte narrativa seguem o padrão início, desenvolvimento, clímax e desfecho. Mas o filme de Scorsese quer imitar a vida, que pode parecer não ter sentido. O interesse do espectador é garantido pela impressionante atriz Ellen Burstyn.

Fixing a hole, com The Beatles

Muitos dizem que Fixing a hole faz apologia do baseado: mas ninguém pode negar que é muito forte nela a sensação da tranquilidade de simplesmente estar na própria casa. McCartney canta: se estou errado, estou certo onde eu moro.