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Musica e fantasia: curtas as sugestões de discos, filmes e livros.

Categoria: Década de 1980

O fascínio dos tropicalistas pelos vampiros

Sabemos que, intelectualmente, o tropicalismo lançado por Gil e Caetano tentava ser uma continuação ou radicalização da antropofagia de Oswald (leia-se Ôsvaldi) de Andrade. No sentido de apropriar da cultura estrangeira, degluti-la para criar algo com nossa identidade.

O vampiro é uma imagem mais ambiciosa: além de absorver a essência vital de sua vítima, o vampiro a transforma em um igual. Isto lembra a poesia exportação dos concretistas: em vez do regionalismo exótico, influenciaremos estrangeiros com nossas ideias.

Por isso é que tropicalistas radicais, como Torquato Neto, Ivan Cardoso e Jorge Mautner, são fascinados com a ideia de vampiro.

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You’ve lost that lovin’ feeling, com Darryl Hall & John Oates

You’ve lost that lovin’ feeling é uma música muito tocada e lembrada. Fala tão suavemente da perda cotidiana de um sentimento amoroso que nem parece triste: às vezes a gente se pega cantando-a como se fosse uma música alegre.

Além do horizonte, com Tim Maia e Erasmo Carlos

Dizem que o Brasil tem um ouvido musical que não é normal. Parece cena de vídeoclipe entrar em um supermercado pequeno e reparar que várias pessoas cantam junto com Erasmo e Tim Maia. O paraíso também se chama fraternidade.

A câmera clara, de Roland Barthes

A câmera clara, de Roland Barthes

Barthes, grande teórico da interpretação da fotografia, falava em studium, ou o contexto cultural de uma foto. E de punctum, seu elemento mais marcante. A foto do irmão de Napoleão disparou sua teorização: esses olhos que viram o imperador!

Nós vamos invadir sua praia, com Ultraje a rigor

Nos episódios dos rolezinhos (jovens suburbanos entrando em massa em shopping centers elitizados), ninguém lembrou de Nós vamos invadir sua praia, música ícone da invasão da classe C aos espaços da antiga classe média. O pop não poupa ninguém.

Inútil, com o Ultraje a rigor

A inspiração costumava visitar a banda Ultraje a rigor. Em uma visita surgiu a letra que começa por “a gente somos inútil”, que define bem a insatisfação de letrados e iletrados com a realidade brasileira na década de 1980.

Madalena do Jucú, com Martinho da Vila

Martinho da Vila, compositor muito criativo da MPB, também se preocupa com ritmos ancestrais, como o congo. Madalena do Jucú, adaptada de canção tradicional do Espírito Santo, mostra um namorado vocalizando seu bem querer, contra o querer da família.

Três apitos, com Elizeth Cardoso

Noel Rosa era um verdadeiro mestre do samba, no sentido poundiano. Ele fundiu as invenções dos primeiros sambistas com a estética de classe média, o que inclui rima e coloquialidade. E criou oassim o samba como é conhecido hoje.

Fricote, ou Nega do cabelo duro, com Luiz Caldas

Fricote, conhecida por Nega do cabelo duro, iniciou o movimento axé. Luiz Caldas é músico e cantor talentoso. Mas mesmo que seja memorável, a música já mostra elementos da futura indústria cultural: ritmo marcante, letra que quase não importa.

Let’s lynch the landlord, com Dead Kennedys

O neoliberalismo é apenas mais uma utopia na qual a burguesia vence. A ausência de garantias sociais no grande irmão do Norte faz com que condições desumanas surjam. E põem o Dead Kennedys para cantar “vamos linchar o locador”.